Última modificação a
Relações bilaterais
As relações bilaterais entre a República Portuguesa e o Grão-Ducado do Luxemburgo
O estabelecimento das relações diplomáticas entre a República Portuguesa e o Grão-Ducado do Luxemburgo remonta à acreditação do Visconde de Pindela, Sua Excelência Vicente Pinheiro Lobo Machado de Melo e Almada, junto do Grão-Duque Adolfo do Luxemburgo como embaixador não residente, em 21 de maio de 1891. Por sua vez, o Grão-Ducado do Luxemburgo passou a dispor de um Cônsul-Geral honorário em Portugal, na pessoa do Senhor António Soares Franco Júnior, a partir de 24 de maio de 1933.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal acolheu brevemente, na Casa Santa Maria, em Cascais, a família grão-ducal então no exílio, antes da sua travessia para os Estados Unidos da América, no final de setembro de 1940.
O primeiro embaixador residente de Portugal no Grão-Ducado do Luxemburgo foi acreditado em 7 de dezembro de 1974, na pessoa de Sua Excelência Carlos Alberto Empis Wemans. O primeiro embaixador residente do Luxemburgo em Portugal, Sua Excelência Jean Welter, foi acreditado em novembro de 1988, ano em que teve igualmente lugar a inauguração da embaixada em Lisboa, na presença de Sua Excelência Jacques F. Poos, Ministro dos Negócios Estrangeiros, do Comércio Externo e da Cooperação. Desde então, o Grão-Ducado acreditou o seu décimo embaixador residente em Portugal no verão de 2025, na pessoa de Sua Excelência Marc Bichler.
Uma relação humana única
A partir da década de sessenta, muitos jovens portugueses emigraram; alguns para fugir à pobreza e à falta de oportunidades em Portugal, outros para escapar às garras da ditadura salazarista, que perdurou até 1974, ou ainda para desertar do serviço militar obrigatório e, sobretudo, das guerras coloniais. Foi neste fluxo de vidas humanas e perante a necessidade de mão de obra no Luxemburgo que alguns se instalaram no Grão-Ducado. Progressivamente, através da possibilidade de reagrupamento familiar, famílias portuguesas fixaram-se no país, constituindo hoje a maior comunidade estrangeira residente (14% da população residente total).
As relações económicas e comerciais
As relações diplomáticas e económicas estiveram frequentemente ligadas, ainda que em graus diversos. Já em 1947, o Senhor Alberto Maria Bravo, empresário ligado à ARBED (Aciéries Réunies de Burbach-Eich-Dudelange), recebeu o exequatur para exercer as funções de Cônsul-Geral do Luxemburgo. A firma Alberto Maria Bravo & Filhos, companhia de navegação fundada em 1843, operava sobretudo na rota transatlântica para o Brasil, mas também para África, em particular para Angola. A família Bravo representou igualmente o entreposto da ARBED Columeta em Portugal, Angola, Guiné e Moçambique. A ARBED tornou-se, de longe, o principal fornecedor de produtos siderúrgicos em Portugal, tendo contribuído, em Lisboa, para a construção do Hotel Ritz, a ampliação do porto e ainda a edificação da Ponte 25 de Abril.
Hoje, ambos os países são membros da União Europeia, sendo no âmbito do Mercado Único que as relações económicas e comerciais se intensificam e diversificam. O mais recente Fórum Económico Luxemburgo-Portugal realizou-se em novembro de 2024, com enfoque nas novas tecnologias, na saúde digital (e-health) e na construção sustentável. Ainda assim, as relações abrangem muitos outros domínios, desde os serviços financeiros, passando pelo comércio de bens de consumo, até às atividades ligadas ao setor espacial.